4º Fundamento da Gestão Pós Covid: A Autogestão !

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a autogestao e chave!

Ola boa tade. meu nome é Clovis Pessuti, sou Engenheio e administrador. Continuando no assunto abeto ja ha alguns dias sobe como se preparar para os desafios Pos- Covid 19, venho trazer hoje o Conceito de Autogestao.

A cada dia a autogestão em empresas e organizações deixa de ser um assunto misterioso e começa a ser discutido nos corredores e escritórios. Muitos anseiam por ela e outros dizem ser impossível. Esperamos com esse artigo explicar conceitos básicos sobre autogestão e afastar algumas interpretações equivocadas.

Nesse artigo você vai encontrar:

Definição de autogestão e gestão horizontal

Quando falamos em autogestão nas empresas e organizações, surgem outros termos que são semelhantes, porém vamos diferenciar aqui para evitar confusões:

Gestão Horizontal

Conjunto de práticas organizacionais que contrapõe a estrutura hierárquica da cadeia de comando, podendo acabar com ela, sem propor uma estrutura substitutiva. Seria o equivalente a eliminar os cargos de gerentes e diretores em uma empresa, colocando todos os que fazem parte da organização com a mesma autoridade e poder de decisão.

Autogestão

Conjunto de práticas organizacionais que buscam distribuir a autoridade, dando clareza de responsabilidades e o máximo de autonomia a cada integrante da organização. Nesse caso, as pessoas deixam de reportar a um superior, porém seguem um conjunto de regras e acordos firmados coletivamente. Esses acordos formam uma estrutura organizacional que não exige que todos tenham o mesmo poder de decisão e autoridade, apenas deixa claro como isso é feito e impede a relação de chefe-subordinado.

Vantagens e desvantagens da autogestão

Fizemos uma compilação das principais vantagens e desvantagens apontadas por diferentes pesquisadores. Destacamos:

Melhor desempenho

Em um estudo realizado pela Ernst and Young, uma organização autogerida chamada Buurtzorg que atua na área de saúde domiciliar, foi comparada com outras de gestão tradicional que atuam no mesmo seguimento e região. O resultado mostrou que a autogestão nesse caso conseguiu diminuir o tempo necessário para a recuperação dos pacientes atendidos em 40% em média, com um custo total abaixo do mercado.

Mais engajamento

A Buurtzorg é continuamente eleita a melhor organização para se trabalhar (organizações com mais de 1000 pessoas) na Holanda. De acordo com a Harvard Business Review, a Morning Star, uma empresa processadora de tomates que é autogerida, consegue que seus colaboradores temporários sintam-se tão donos e engajados quanto diretores e executivos de outras empresas.

Maior capacidade de adaptação

Para uma organização se adaptar às necessidade de um ambiente em constante mudança, ela precisa tomar decisões com mais velocidade. Em uma pesquisa realizada no departamento de tecnologia do estado de Washington, o tempo para resolver um problema durante uma reunião e tomar uma decisão, caiu 93% depois da adoção de práticas de autogestão.

A Transição não é simples

A maior desvantagem da autogestão é o tempo e energia necessários para promover a transição. As pessoas e organizações estão acostumadas a operar usando a cadeia de comando e não será com um workshop ou aplicativo que tudo irá mudar. Quanto maior a organização, mais difícil é a transição.

Exemplos de empresas com autogestão

A autogestão não é algo tão novo, por isso já temos muitos exemplos que podemos estudar e nos inspirar. Veja a tabela abaixo que organizamos com alguns exemplos que mostram a variedade de setores e tamanhos de empresas que a autogestão já mostrou ter sucesso:

exemplos de empresas com autogestão
NomeSetorTamanho (pessoas)
Morning StarIndústria Alimentícia400 a 2400*
Menlo TechnologiesDesenvolvimento de Software144
Precision NutritionAssessoria em nutrição55
VagasRecrutamento e seleção250
W.L. GoreIndústria de Materiais10.200
Mattblack SystemsTecnologia Aeronáutica40
Sun HydraulicsPeças hidráulicas900
ZapposVarejo online1.600
BlinkistStartup de serviços38
BuurtzorgEnfermagem9.400
SemcoEquipamentos industriais1.150
FAVIAuto-peças500

*depende da estação do ano

Mitos sobre a autogestão

O que vem na sua cabeça quando ouve a palavra autogestão, gestão horizontal ou gestão distribuída? Parte do trabalho da Target Teal é desmistificar estes termos e afastar fantasmas, para que organizações que estão pensando em trilhar esse caminho possam ter mais tranquilidade em iniciar processos de transição. Escolhemos aqui algumas frases que apesar de ainda serem muito ditas, estão muito longe do que acreditamos serem verdades sobre a autogestão.

Não existem líderes na autogestão

Deixamos de associar a liderança a um cargo ou função e passamos a encarar que em cada situação podem surgir diferentes líderes. Essa natureza fluida da liderança para alguns pode gerar insegurança, mas ela valida o que já existe naturalmente nos grupos sociais, deixando de lado a artificialidade dos altos cargos de gestão, que presumivelmente são ocupados por líderes altamente capacitados. Resumindo, na autogestão cria-se o espaço para todos liderarem e seguirem, dependendo do momento ou desafio a ser enfrentado.

Na autogestão as decisões são lentas

Aqui existe uma diferença considerável daquilo que existe no imaginário das pessoas e daquilo que praticamos e ensinamos. Sabe aquelas reuniões intermináveis para se chegar a um consenso? Sabe aquelas grandes assembleias onde as pessoas votam? Então, não trabalhamos e não queremos propor nada parecido com isso. As práticas de autogestão que usamos e sugerimos em workshops e trabalhos de consultoria vão no sentido oposto. Primeiro acreditamos em uma gestão ágil com muitas e pequenas decisões sendo tomadas de maneira autônoma por muitas pessoas. E quando um grupo (no máximo 15) precisa decidir algo, não queremos que todos digam sim para uma proposta, mas apenas concordem que é seguro o suficiente para se tentar. São práticas que delegam muita autoridade e deixam a experiência real ser o principal juiz da eficácia de uma solução.

Na autogestão não existem regras, métricas e estrutura

Quando se trabalha em uma organização hierárquica sabemos que uma regra é a mais importante e muitas vezes a única. “Faça o que seu chefe manda!”. Na autogestão precisamos operar seguindo princípios e regras muito mais numerosos, e o mais importante: regras que valem para todos. Estrutura e clareza de responsabilidades também são dois atributos importantes. Números, sejam financeiros ou que mostrem um resultado ou eficiência de um processo, também não são abolidos. O que existe é uma resignificação e readequação das métricas que deixam de estar a serviço do “comando e controle” e começam a ajudar todos a entender uma realidade complexa e aprender sobre o impacto das decisões tomadas.autogestão não funciona sem acordos

Sem acordos claros sobre o poder, grupos pseudo-igualitários colapsam em um pântano de inação ou são comandados por uma politicagem feita nas sombras.

Uma equipe precisa ser madura antes de ser autogerida

A autogestão é o melhor, senão o único caminho para uma equipe amadurecer e se tornar pronta para a autogestão. Continue tratando sua equipe como crianças ou adolescentes irresponsáveis que a tão falada maturidade nunca irá se efetivar. Leia esse post que explica com mais detalhes nossa posição sobre o assunto.

Na autogestão todos são iguais

Quando falamos em autogestão não estamos falando de uma utopia igualitária ou de um poder igual para todos. Não estamos defendendo que todas as ideias e sugestões tem o mesmo valor ou que uma pessoa não pode ter autoridade para decidir algo que afeta a outra. Reconhecemos que as pessoas possuem diferentes habilidades, experiências, paixões e níveis de resiliência em contextos específicos. Defendemos uma equivalência na definição e aplicação de regras e princípios, assim como uma distribuição equilibrada e transparente de autoridade.

As pessoas não querem responsabilidade e autonomia

Talvez tenha uma gota de verdade nessa frase. Afinal, somos condicionados pela nossa sociedade e cultura a transferir boa parte das nossas responsabilidades para outras pessoas. “Transferimos ao governo a responsabilidade de cuidar da segurança e da saúde. Transferimos aos professores e pais a responsabilidade de nos ensinar e educar. Transferimos ao chefe a responsabilidade de lidar com conflitos e gerir o nosso próprio trabalho.”

Porém as pessoas ainda querem autonomia e anseiam por mais liberdade para criar e trabalhar. Querem também colher os frutos do trabalho bem feito. Então chegamos nessa tríade: Responsabilidade, autonomia e recompensa pelo trabalho. Não podemos oferecer apenas os dois primeiros desse trio e achar que é uma oferta justa. Pense nisso ao convidar pessoas para a autogestão, quando elas se sentem injustiçadas pela maneira que estão sendo recompensadas. Mesmo que para você, isso seja infundado.

Tudo isso ainda é muito experimental

Nos últimos anos muita coisa tem surgido nesse campo. Livros, frameworks, cases e práticas. Muita coisa ainda vai surgir, mas não podemos negar que as organizações pioneiras iniciaram seu trabalho nas décadas de 60, 70 e 80. Organizações como WL Gore e Morning Star tiveram que inovar muito ao serem pioneiras. Hoje você pode aproveitar o que já foi feito e sem copiar cegamente, aproveitar padrões e práticas já estabelecidos que podem funcionar em sua organização. Sempre será necessário experimentar e adaptar, mas o caminho trilhado por outros torna o processo muito mais fácil.

Como fazer a autogestão em uma empresa

Introduzir ou adotar a autogestão em uma organização não é só “empoderar todos”, dizer “agora vocês têm autonomia!” ou criar um “ambiente horizontal” onde todos são considerados iguais.

Isso pode funcionar quando você tem um time de até 5 pessoas. Mas e se forem 50? Ou 9000 enfermeiras, como na Buurtzorg? Nesse caso você vai precisar de um pouquinho mais de estrutura para dar conta. Essa estrutura ajuda a distribuir a autoridade e dar agilidade aos processos de tomada de decisão.

Quanto menor a empresa ou organização, mais fácil será a adoção de práticas de autogestão, então não espere sua empresa chegar em um tamanho muito grande.

No geral, acreditamos que o caminho para uma organização que já existe adotar a autogestão passa por:

  1. Alguém com poder institucional decide experimentar ou adotar práticas de autogestão. Se você não é um diretor, CEO ou presidente, um caminho é buscar um aliado com esse poder, afinal o ponto de partida é a hierarquia.
  2. Outras pessoas na organização são envolvidas, e um período onde workshops, grupos de estudo e até a contratação de consultores especializados acontecem para que a organização ganhe capacidade e as coisas comecem a mudar.
  3. Estruturas, hábitos, cultura e práticas começam a mudar lentamente, exigindo esforço contínuo dos envolvidos.
  4. Após um período que pode variar de alguns meses a alguns anos, a autogestão se consolida e se incorpora a cultura da organização.

Bom pessoal, acredito muito que devemos nos preparar para atuarmos e trabalhar no futuro em um ambiente de autogestão. Então, vamos nos atualizar! Despeço-me com o seguinte pensamento de Stephen king :

Stephen King - Biografia do escritor americano - InfoEscola

“Amadores sentam e esperaram por inspiração, o resto de nós simplesmente se levanta e vai trabalhar.”

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